Notícias diversas.


Consumidor vai arcar com risco da falta de chuvas.
Custo da variação climática, hoje a cargo das geradoras, poderá ser transferido para a conta de luz

Image

Emaranhado de fios em poste na Praia Vermelha - Márcia Foletto / O Globo

por Danilo Fariello
18/08/2015 6:00 / Atualizado 18/08/2015

BRASÍLIA - O governo vai transferir aos consumidores o risco hidrológico que acarretou perdas bilionárias para as geradoras de energia elétrica nos últimos dois anos. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apresentará hoje uma proposta de aditamentos nos contratos das hidrelétricas com o mercado regulado para “transferir o risco hidrológico para os consumidores”, segundo documento da agência.
Os ajustes nos contratos serão autorizados por medida provisória (MP), que deverá ser publicada hoje no Diário Oficial. A MP também abrirá a possibilidade de aumento do prazo das concessões para as empresas que aderirem à proposta.
Só neste ano, a crise energética levou a um aumento das contas de luz de 47,95%, segundo o IPCA, calculado pelo IBGE.
O risco hidrológico, que tem relação com a variação climática, até agora era assumido pelas geradoras. Historicamente, as hidrelétricas geram energia acima do mínimo previsto nos contratos. Quando isso acontecia, elas vendiam o excedente no próprio mercado regulado ou a consumidores do mercado livre, de curto prazo, onde a energia é mais cara.
Desde 2013, porém, com a seca e a escassez de água nos reservatórios, as hidrelétricas geram energia abaixo do mínimo previsto, tendo de comprar a diferença no mercado livre para honrar os contratos. Com o aumento da demanda, o preço dessa energia disparou, resultando em um rombo para as geradoras estimado em até R$ 20 bilhões por agentes do mercado.

ESERVATÓRIOS EM RECUPERAÇÃO
Com a mudança, o mais provável é que o risco hidrológico seja transferido aos consumidores por meio da bandeira tarifária, que ganharia um novo elemento em sua composição. A curto prazo, a alteração não deverá implicar aumento de custos para os consumidores, conforme já assegurou o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga.
A médio e longo prazos, porém, tudo dependerá das chuvas. Como vem chovendo bastante nos últimos meses, os reservatórios das hidrelétricas estão em franca recuperação, colaborando para a queda do preço da energia no mercado de curto prazo.
A proposta de aditamento dos contratos que será oferecida aos gestores das hidrelétricas deverá ser condicionada ao abandono das ações das geradoras na Justiça. Ou seja, elas só poderão eliminar o risco de seus contratos se abdicarem dessas ações e liminares. A MP deverá trazer, ainda, novas regras para negociar essa energia excedente no mercado livre.

Hidrelétricas vão à Justiça para não pagar por energia mais cara e inadimplência sobe a 47%

Image

Por: Bruno Rosa e Ramona Ordoñez - O Globo
RIO - Mais um rombo assombra o setor elétrico, resultado da crise hídrica e das mudanças de regras nos últimos anos. Com poucas chuvas desde o ano passado e o baixo nível dos reservatórios, as geradoras das hidrelétricas já projetam prejuízos de R$ 13 bilhões a R$ 20 bilhões neste ano. Essas usinas são obrigadas a reduzir sua geração de energia para preservar o nível dos reservatórios, cumprindo determinações do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Com isso, precisam recorrer ao mercado livre, usado por grandes consumidores do setor e no qual a energia está mais cara, para honrar todos os contratos de fornecimento com as distribuidoras.
Isso tem criado uma guerra de liminares na Justiça — já são 22 até o momento. A maior parte das geradoras, com exceção das empresas do grupo Eletrobras, obteve o direito na Justiça de pagar apenas 5% dessa energia extra adquirida no mercado. Isso porque esses 5% são o chamado risco de racionamento (ou hidrológico) do setor. O restante (acima desses 5%) não está sendo pago pelas geradoras graças a liminares.
Assim, com esse respaldo judicial, as empresas não vêm liquidando todos seus contratos na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Em junho, o nível de inadimplência chegou ao recorde de 47,28%. Ou seja, deixou de ser honrado R$ 1,4 bilhão dos R$ 2,99 bilhões. E há o risco, apontam especialistas do setor, de mais esse descompasso no setor elétrico ser repassado ao consumidor final, que já vem sofrendo com o aumento médio de 50% nas tarifas somente neste ano.

PRAZO DE CONCESSÃO PODE SER AMPLIADO
As geradoras argumentam que a garantia do abastecimento não é risco hidrológico e, por isso, não têm obrigação de bancar esses custos adicionais com geração a partir de fontes mais caras (térmicas a óleo e a gás). O presidente da Abrage, associação das geradoras, Flavio Neiva, disse que as perdas das usinas estavam estimadas em R$ 20 bilhões neste ano. Mas, por causa da redução do uso das térmicas mais caras (movidas a óleo diesel), anunciada na semana passada pelo governo, esse prejuízo pode cair para R$ 13 bilhões. Neiva tem esperanças que, em breve, o governo apresente uma solução.
— Está se caminhando para encontrar uma solução para essa questão. Em 2012 (quando houve uma renegociação dos contratos de concessão por pressão da União), para conseguir promover redução nas tarifas de energia elétrica, o governo ordenou a geração máxima das hidrelétricas, que fez com que os reservatórios caíssem de quase 80% para 28% em 2012. Os reservatórios não se recuperaram, e as geradoras estão sendo obrigadas a pagar essa conta. As geradoras não podem pagar sozinhas por isso. Esses custos com outras fontes de geração são para garantir o abastecimento, não é risco hidrológico. Por isso, as liminares — disse Neiva.
Segundo especialistas, é vital resolver o impasse com as geradoras. Sem isso, arriscam eles, o sistema elétrico pode ter uma crise sistêmica e a inadimplência chegar a 100%. Consultorias como a Safira e a Thymos acreditam que o volume de contratos não liquidados deve aumentar. Todo setor espera para esta semana que um acordo seja costurado entre os agentes do setor e o governo. Segundo, uma proposta em análise é o aumento do prazo de concessão das usinas hidrelétricas e até mesmo retirar o chamado risco hidrológico das usinas e repassar para todo o sistema.
— Aumentar o período de concessões não é o essencial, porque não resolve o problema de caixa a curto prazo das geradoras. Outra alternativa em estudo é repartir esse custo entre todos os agentes após ultrapassar o limite de 5% — disse essa fonte.
As tarifas para o consumidor, que já sofreram um aumento médio de 50% neste ano, terão mais reajustes em 2016. A estimativa dos especialistas aponta para uma alta entre 8% e 10% no próximo ano, apenas como resultado do uso intenso das usinas térmicas, do sistema de bandeiras tarifárias — atualmente na cor vermelha, a mais cara — e dos empréstimos concedidos às distribuidoras no ano passado. João Carlos Mello, presidente da Thymos, destaca que as geradoras deverão ter uma perda de cerca de R$ 20 bilhões neste ano com o custo extra da energia comprada no mercado de curto prazo:

— É uma equação complicada para ser resolvida. Existe a possibilidade de isso ser repassado ao consumidor. A estimativa é que, hoje, 20% dos contratos não estão lastreados. Como as usinas só estão pagando 5%, quem vai arcar com os 15% restantes? É preciso uma solução. O que não pode é o mercado ficar parado.

RISCO DE REPASSE PARA O CONSUMIDOR
Paulo Cunha, consultor da FGV Energia, diz que esse impasse precisa ser resolvido imediatamente, diante do grande volume de calote:
— O setor vive uma crise aguda. Essa inadimplência já era esperada e precisa ser resolvida. A questão é o governo fechar um acordo para evitar o repasse ao consumidor. Nos anos anteriores, houve aporte do Tesouro, mas hoje não é possível com o ajuste fiscal. Os bancos já estão muito expostos no setor com os empréstimos feitos às distribuidoras no ano passado, e a renda do brasileiro não suporta mais aumentos na luz. Por isso, há uma dificuldade maior hoje para resolver isso. E o risco real é chegar ao consumidor.
O gerente de regulação do Grupo Safira Energia, Fábio Cuberos, ressalta que o nível de inadimplência em junho (último dado disponível) é o maior da história do setor. Em maio, o calote havia sido de 18,17%, cerca de R$ 460 milhões. Segundo ele, há riscos de os números chegarem a 100%, se não houver uma solução. Ele lembra que, até então, o maior nível de calote havia sido registrado em agosto de 2012, com 21,9% dos contratos não honrados, no valor de R$ 134 milhões.
— As geradoras estão obtendo liminares para não pagarem esses custos extras de energia. Quando uma geradora deixa de pagar, o restante desse custo é dividido entre as outras geradoras. E, para evitar esse valor adicional que não estava previsto em seu fluxo de caixa, outras geradoras entraram na Justiça. Por isso, há tantas ações — disse Cuberos.
O Ministério de Minas e Energia disse que vem trabalhando com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e agentes do setor para equacionar o problema. “A apresentação de uma solução condensada deve ocorrer em breve, o que fará com que as liminares percam sua razão de ser e o mercado volte à normalidade”. A CCEE e a Aneel não responderam.
Charles Lezi, presidente da Abragel, que reúne as pequenas centrais hidrelétricas, argumenta que a culpa dos preços altos no mercado livre não são causados só pela falta de chuvas, mas também pelo custo das térmicas. Assim, explica, as geradoras não podem arcar com essas despesas.
— Por isso, o nosso argumento é que nessa conta não há apenas o risco de não ter chuvas. E resolver esse impasse é um desafio — admitiu Lezi


Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/economia/hidreletricas-vao-justica-para-nao-pagar-por-energia-mais-cara-inadimplencia-sobe-47-17206821.html#ixzz3jIjBirh9

Choque no setor elétrico.

Veículo: Energia Hoje (Brasil Energia) - RJ 
Publicação: 27/04/2015 Hora: 07:14 
Editoria: Governo Hora: 07:14:00Inclusão: 28/04/2015 17:11:00 
Keyword: Almirante Álvaro Alberto

  O choque de gestão no setor elétrico

Ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, quer mudar comando das estatais, abrir setor nuclear para a iniciativa privada e aproximar o governo do mercado 


Recebido com desconfiança pelo setor elétrico por não ser da área, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, vem mudando rapidamente as primeiras impressões durante os três meses em que está na pasta. Para quebrar as resistências, usa duas armas. Uma é o diálogo. Algo natural para um político de carreira - senador e governador pelo Amazonas -, mas raro neste ministério nos últimos anos, especialmente no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Outra é um discurso favorável ao mercado e à iniciativa privada, o oposto da cartilha para o setor elétrico adotada até então pelo governo federal. “Qual é o foco novo agora? É gestão, resultado, governança, compliance”, afirma, sobre a gestão das estatais. 

Os contrastes não param aí. Ao longo da conversa com a Brasil Energia, a primeira entrevista exclusiva a um veículo especializado desde sua posse, o engenheiro eletricista de formação demonstrou um domínio sobre questões técnicas que sempre faltou a seu antecessor, Edison Lobão. Falou de forma franca sobre temas polêmicos, como a abertura do mercado nuclear para empresas privadas, a defesa do racionamento feita por agentes do setor elétrico e a troca de comando das estatais e autarquias. “Temos gente que está há 10, 12 anos [no mesmo cargo] no setor elétrico. É preciso que nós tenhamos um bafejo de democracia e de alternância de poder. Arejar o setor. Dentro do ministério, nas coligadas, na Eletrobras, em todos os lugares.” 

A seguir, os principais trechos da entrevista. 

COMBATE À CRISE HÍDRICA 

O senhor assumiu a pasta durante uma das piores crises da história do setor elétrico. O que foi feito até agora e qual a estratégia para combatê-la? 

Nestes primeiros noventa dias, tivemos algumas ações importantes. Primeiro tivemos um enfrentamento com um mês de janeiro que foi o mais seco dos 82 anos de registro da série histórica. Em março tivemos chuva um pouco abaixo da média histórica. Em abril, está próximo da média histórica. Os institutos dizem na sua melhor hipótese que podemos ter entre 20% a mais ou a menos que a média histórica. 

A expectativa é que a gente tenha uma transição suave do período úmido para o seco. Não vamos ter uma interrupção abrupta do período úmido. No ano passado também tivemos uma transição suave, em que pese o fato de fevereiro ter sido o pior mês da história em hidrologia. Fevereiro deste ano foi o segundo. 

Por que este diagnóstico do ritmo hidrológico? Porque estamos vindo de uma longa série de ritmo hidrológico que a gente chama de extremos climáticos. Estamos em um ponto completamente fora da curva do nosso ritmo hidrológico. Começa no biênio 2012-2013, mas muito tenuemente. De 2013 para 2014 começa a se aprofundar, de 2014 para 2015 se aprofundou e, agora, em 2015-2016, continua profundo. Nós entramos em janeiro de 14 com 40% de reservação, em janeiro de 2015 entramos com 20% de reservação e a estimativa é que nós estaremos entrando em torno dos mesmos 20% em 2016. 

Esse diagnóstico do ritmo hidrológico e da crise hídrica é importante para entender toda a estratégia que estamos empreendendo no ministério. Temos uma estratégia de curto prazo, uma de médio prazo e uma de longo prazo. A de curto prazo era vencer o ano de 2015 sem racionamento. Acho que a cada dia está ficando mais afastada a hipótese de racionamento a qualquer déficit de energia no ano de 2015. Por três grandes fatores. O primeiro deles é que a chuva melhorou. O segundo, o consumo diminuiu. O terceiro é que conseguimos criar uma série de mecanismos, seja regulamentar, seja de infraestrutura, [e com isso] entraram mais 1.600 MW de energia nova no sistema. 

Conseguimos estimular o uso dos geradores próprios, conseguimos fazer com que uma série de obras de transmissão pudesse ser conectada, melhoramos a capacidade de transmissão da região Norte para a região Sudeste – melhorando banco de capacitores, tirando certas limitações que nós tínhamos –, estamos entregando o segundo bipolo do [Linhão do] Madeira [que vai escoar a energia das hidrelétricas de Jirau (3.750 MW) e Santo Antônio (3.568 MW)] agora no mês de maio, estamos conseguindo colocar em ritmo de entrega as máquinas de Santo Antônio, agora nós estamos tendo um volume de máquinas a ser entregues bastante razoável. [A hidrelétrica de] Teles Pires (1.820 MW), depois de muitas marchas e contramarchas, podemos dizer que em julho teremos uma ligação provisória. Finalmente o ritmo da obra está acelerado. Esperamos que em setembro ou outubro tenhamos a linha pronta e aí vamos entregar até o final do ano toda a capacidade de Teles Pires para o mercado. Até dezembro, pleno. Mas já vai botando energia nova todos os meses. Até dezembro vamos chegar a 6.400 MW de energia nova e vamos chegar a 7.000 km de linhas de transmissão novas. Isso tudo é um conjunto de medidas que foram feitas para mitigar a crise hídrica de 2015. 

GARANTIA DO SUPRIMENTO 

Qual a estratégia para 2016 em diante? 

Estamos fazendo ações olhando para a questão de 2016 buscando encontrar alternativas para que não tenhamos nem problema na ponta da carga no verão. E queremos estar preparados para fazer esse enfrentamento. Para isso estamos fazendo uma série de leilões, que estão em curso e buscamos antecipar ao máximo que pudermos o cronograma de entrega de algumas das geradoras que já estão contratadas. Isso tudo para que a gente possa er economia de água, economia de energia, olhando para o futuro. 

Quando o senhor fala desse esforço, está se referindo a uma força-tarefa ou algo do tipo? 

Na realidade nós temos o Comitê de Planejamento do Setor Elétrico e, dentro do comitê, a Secretaria de Planejamento e a Secretaria de Energia estão incumbidas de encontrar alternativas junto com a EPE para que nós possamos abreviar determinados prazos, antecipar outros prazos para que a gente possa dar as respostas que estamos falando. Tem casos por exemplo como de 300 MW de aerogeradores que estavam prontos, mas a linha de transmissão não chegou. Vamos entrar em 2016 com isso resolvido. Tem casos de aerogeração que estava previsto ser inaugurado no segundo semestre de 2016 e que estamos antecipando para o final de 2015. Isso tudo para que a gente possa ter um reforço de geração. (...) E vamos fazer um leilão [3º Leilão de Energia de Reserva, para térmicas a gás natural], que tem como prazo de entrega 1º de janeiro de 2016. Nós fizemos um trabalho de campo, com produtores, fabricantes, empreendedores, dimensionamos que é possível e estamos estimulando fortemente que o setor entre firme no leilão. 

REDUÇÃO DO CUSTO DA ENERGIA 

Nosso objetivo a partir de então passará a ser o que: redução do custo de energia no país. Feitas determinadas ações como essas que falamos, vamos estar robustamente preparados para enfrentar o ritmo hidrológico atípico até 2016. A partir de então nosso objetivo será chegar a 2018 com o custo médio de geração de energia que não seja superior nas térmicas a R$ 600/MWh. Se nenhuma térmica nossa for despachada acima disso em 2018...para você ter uma idéia nós temos hoje a partir de R$ 600/MWh uma curva exponencial que vai até quase R$ 1.300/MWh. Toda essa parte que está acima nós esperamos poder substituir até dezembro de 2018. 

Com energia nova? 

Com energia nova e com uma matriz que nos possibilite ter um CVU [Custo Variável Unitário, o custo de gerar energia em cada térmica] bem mais amigável. E assim nós termos um CMO [Custo Marginal de Operação] bem mais baixo de forma sistêmica para que nós possamos chegar ao seguinte paradigma: termos uma energia competitiva com o mercado mundial. Se nós conseguirmos ao cabo de 2018 garantir que temos um setor elétrico robusto com uma energia competitiva do ponto de vista do custo de MWh com o mercado internacional, eu diria que nós alcançamos plenamente o que estamos buscando. Essa é a estratégia de médio e longo prazo. A partir daí vem o plano de investimentos até 2050. Vamos investir em nuclear, em hidro, em energia alternativa. A eólica já é madura, mas a solar está avançando. 

MICROGERAÇÃO SOLAR 

Tivemos um leilão para energia solar no ano passado, outros dois estão marcados para este ano, mas a microgeração não avança. Qual o plano do governo para estimular a energia solar? 

Estamos esperando a desoneração [do ICMS sobre a energia gerada pelo consumidor, que depende do aval dos estados e estava em discussão no Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ)]. Logo depois que sair, vamos tirar o PIS/COFINS e aí no mês de maio já vamos poder fazer o lançamento da energia solar dentro da estratégia de geração distribuída e microgeração distribuída. 

Vai haver um programa de estímulos, então, incluindo financiamento? 

Sim. É mais um redesenho do que um financiamento. O financiamento está posto aí. O que nós estamos pensando é que, concluída a questão de renovação das concessões das distribuidoras, até junho, entraremos em uma fase em que as distribuidoras poderiam ser a grande alavanca da geração distribuída. O que estamos querendo é abrir para as distribuidoras participarem da microgeração e da geração distribuída, principalmente de solar. Isso significaria o quê? Que o cidadão, que não tenha a expertise do negócio de energia, entra com o telhado e a distribuidora entra com a geração de energia solar no telhado dele e remunera ele, num comodato, com a energia. Isso teria um impacto para baixo no dispêndio com energia domiciliar. 

Ainda dentro do sistema de compensação? 

Sim, mas nós queremos abrir essa ideia do comodato e do investimento para grandes áreas de telhado. Galpões, shopping centers, hipermercados. E nós teríamos um potencial gigantesco nessa área. No caso da energia solar, nós temos um elenco de ações para alavancar a fonte, seja pela microgeração, seja pela geração distribuída, seja por leiloes de fontes alternativas. Você pode até ter casos de cogeração com a mesma subestação e a mesma linha, o que está acontecendo muito na Bahia. E também os flutuadores com fotovoltaica nas hidrelétricas. 

RENOVAÇÃO DAS DISTRIBUIDORAS 

Como o senhor avalia o setor de distribuição e quais serão as regras para a renovação das concessões, que começam a vencer em junho? 

Eu, como sou engenheiro eletricista, mas não estava no setor, tenho liberdade para falar com bastante tranquilidade. Acho que nosso sistema é robusto, mas caro. E precisa de ajustes. Precisamos fazer ajustes na geração, na transmissão e na distribuição. Nós temos uma distribuição que foi a que menos evoluiu nos últimos dez anos. Evoluímos muito na geração, muito na transmissão e na distribuição evoluímos muito pouco, principalmente na baixa tensão. Aí nós temos perdas técnicas, nós temos ineficiência, temos uma série de questões a serem suplantadas. E que nós esperamos poder avançar na questão da renovação das distribuidoras agora, tendo como foco a melhoria do serviço para o consumidor. O foco não é fazer caixa para o governo, fazer caixa para a Eletrobras. O foco é fazer com que o consumidor tenha uma prestação de serviço adequada à sua expectativa. 

Seriam apenas metas de qualidade? 

Metas de qualidade com plano de investimento e submeta anual. E a outra é capacidade financeira, com indicadores claros, e aqueles que não tiverem capacidade financeira terão que apresentar um plano de recuperação em cinco anos com submetas anuais. E aqueles que não cumprirem sofrerão da advertência à perda da concessão. É uma das formas que nós temos para dar um grande salto. As redes de distribuição no resto do mundo se modernizaram na última década. Foi graças à modernização das redes de distribuição na Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, Coréia e outros países que foi possível implantar a microgeração, infraestrutura compartilhada com redes de banda larga e outros serviços. Portanto, é aqui que nós podemos dar o grande salto do século 21. 

DEFENSORES DO RACIONAMENTO 

Alguns agentes do setor elétrico começam a defender o racionamento, alegando que o custo para evitá-lo seria ainda maior. As distribuidoras, por exemplo, afirmam que a redução voluntária é ruim porque a energia já está contratada, já com o racionamento esses contratos poderiam ser equalizados. Qual a sua opinião sobre essas afirmações? 

Então o bom é não ter energia? O bom é gerar um grande desemprego, quebrar os estoques de suprimento na cadeia produtiva. O Britaldo (Soares, CEO da AES Brasil) quando disse isso estava olhando para o umbigo dele. Eu olho para a nação brasileira. É importante dizer: não existe energia mais cara do que a que não existe, é só lembrar a taxa de desemprego do Brasil em 2001, é só entrar e olhar: 2001, qual era a taxa de desemprego no período do racionamento? Eu vivi isso no meu estado antes do racionamento. O racionamento foi em 2001 e eu vivi em 1998. Foram os piores momentos que o Amazonas já viveu. Eu vi mercados quebrarem, a padaria quebrar, a mercearia quebrar, a fábrica de picolé quebrar, pessoas ficarem desempregadas. Então, evitar o racionamento é um dever do estado. O que alguns podem falar? Ah, vocês estão despachando energia fora da ordem do mérito. Não é isto. Estamos despachando energia acima do CMO, mas esse custo é mais barato do que o custo do racionamento. O custo do racionamento é maior do que isso. É o custo do emprego, da atividade econômica. Nós estamos atravessando essa crise mantendo uma taxa de emprego ainda elevada no Brasil comparada com a média internacional. Qual é o outro porém que vejo o Britaldo defender? ‘Ah, estou tendo GSF [Generation Scaling Factor, o déficit entre o volume gerado pelas hidrelétricas e o que deveria ser entregue] porque estou sendo obrigado a economizar água’. Mas ele não disse que vendeu 100% do risco dele. Que ganhou quando teve um ritmo hidrológico positivo. Eu estou falando o nome do Britaldo porque foi único que eu vi do setor falar essas coisas. 

Abertamente... 

Sim. Pelo menos ele falou. Como ele falou e assumiu, estou respondendo a ele. Porque até então quem falava eram essas consultorias que são pagas para falar. Ou consultorias que são partidarizadas. 

RESERVATÓRIOS HIDRELÉTRICOS 

Qual a sua opinião sobre a construção de grandes reservatórios de acumulação na Amazônia? 

Estamos estruturando uma proposta – com o ministério do Meio Ambiente e a Agência Nacional de Águas – para o zoneamento, diagnóstico e um projeto de recuperação hídrica do Centro-Oeste e do Sudeste. O que significa isso? Fazer uma análise do zoneamento de reservação hídrica onde a topografia é favorável. É insano alguém dizer que tem que fazer grandes hidrelétricas com grandes reservatórios na Amazônia. A Amazônia é uma bacia. Como o nome já está dizendo, significa plano, não tem desnível. Se você pega uma bacia e bota um dedinho aqui, rapidamente represa uma lâmina d’água grande, ela se espalha. E fazer isso para gerar pouca energia, como é o caso de Balbina, é o que a gente não deve mais fazer do ponto de vista de engenharia versus o custo do meio ambiente. O custo-benefício precisa ser levado em conta. Então, o que acontece: onde Deus nos deu a topografia favorável para isso? No Sudeste e Centro-Oeste brasileiro. Então estamos encomendando um estudo, com recursos de P&D do setor elétrico para identificar quais são as nascentes estratégicas que nós precisamos recuperar. 

NOVA GESTÃO DA ELETROBRAS 

Qual o plano do governo para a recuperar a Eletrobras? 

Está claro para mim que a governança e a compliance do sistema Eletrobras precisa ser modificado para melhor. Como também o modelo de gestão no conselho e nas empresas precisa ser aprimorado. Não dá para você ter uma holding que esteja quase dissociada do dia a dia das suas coligadas, Chesf, Eletrosul, Eletronorte, Furnas, Eletronuclear, CGTEE, além das distribuidoras, que são oito, a grande maioria dando prejuízo. Então, nós vamos fazer um esforço muito grande, agora nessa etapa do médio e longo prazo que é um choque de gestão no sistema Eletrobras. 
A Eletrobras não faz mais engenharia. Faz negócio de energia. Ela não tem uma diretoria de novos negócios. Não tem uma diretoria de governança e não tem uma diretoria de compliance. Mas tem a diretoria de engenharia, tem disso e daquilo. Quem faz a operação nacional é o ONS. Por que tem uma diretoria de operação na Eletrobras? Nós estamos fazendo uma proposta, só que no meio da crise hídrica, a gente tinha que cuidar de não deixar faltar energia. Não faltou energia. E agora temos que fazer esses ajustes. 

Qual o horizonte desse choque de gestão? 

Ao longo de 2015. Porque tem muitas coisas pela frente. 

Inclusive mudança de comando? 

Ah, sim. A alternância de poder é uma das estratégias fundamentais da democracia. Por isso, ninguém pode ficar mais de oito anos na presidência da República. Nós temos gente no setor elétrico que está há 12 anos, 10 anos. Então é preciso que nós tenhamos um bafejo de democracia e de alternância de poder no setor. Arejar o setor. Dentro do ministério, nas coligadas, na Eletrobras, em todos os lugares. 
E outra coisa: é um setor que envelheceu. Se você for pegar as grandes referências do setor elétrico, nenhuma é jovem. E nós precisamos renovar. E dar um equilíbrio. Não é simplesmente abrir mão da experiência, do conhecimento, do acervo. Não é nada disso. O que estou dizendo é que precisamos trazer gente nova, boa e competente, gente de mercado, misturar com a turma que está aí há muito tempo, que tem experiência, que conhece. Aliar experiência, juventude e competência. E com foco. Qual é o foco novo agora? É gestão, resultado, governança, compliance. Não dá para toda semana, toda hora, todo dia, todo mundo estar falando do setor elétrico como se fosse a Geni. 
Falo isso com tranquilidade porque não tenho participação nenhuma nisso e nem compromisso com isso. Zero. Agora, não tiro o mérito de quem fez. Porque se comparar o setor elétrico de 2001 e o de 2015 tem um avanço sem tamanho. Avançou? Avançou. Saiu de 5 para 50. Mas e aí, vamos sentar acomodados em cima disso e vamos ficar relatando para os netos ‘olha eu vivi um período em que nós saímos de 5 para 50 e depois nós tivemos a capacidade de estragar tudo isso e fazer tudo voltar a nada’? Não. Temos que dar os parabéns e deixar o outro pegar o bastão e levar mais para frente. Se não for assim não vai dar certo. E agora nós temos que montar uma estratégia que possa fortalecer e vigorar o setor, sob pena de o setor desaparecer. 

NOVAS USINAS NUCLEARES 

“Não tenho preconceito contra nuclear. Pelo contrário. Devemos fazer quatro nucleares. Pretendemos no segundo semestre estar com novo modelo de nuclear pronto. Não será mais com obra pública. Será por obra privada com operação e manutenção do setor público, por questões de segurança e estratégia nacional. 

Queremos explorar o urânio brasileiro, enriquecer o urânio brasileiro e queremos entregar e remunerar a iniciativa privada pela construção de quatro novos sites de nuclear. Eles fazem a construção e a eletromecânica. A operação e a manutenção são nossas, via Eletronuclear. 

Nós vamos fazer leilão e oferecer os sites, por questões estratégicas. Temos 21 locais pré-estudados. Agora vamos entrar na fase de negociação. Espero que aprovem essa ideia, de fazer a parte de construção privada, de eletromecânica privada, com o direito de nós compradores decidirmos não só pelo menor preço, mas também pela melhor tecnologia, tendo em vista que há um risco na operação e a tecnologia tem um papel preponderante na decisão. Nós vamos formatar ainda isso. Se esse modelo for aprovado, nós não vamos levar mais de uma década para construir uma usina nuclear. Vamos fazer como todos os países desenvolvidos fazem de num horizonte de quatro a cinco anos ter a geradora pronta para que a gente possa operar. Angra 3 está em obra há quantos anos? Trinta e poucos anos. 

A ideia é que em 2018 Angra 3 esteja pronta e que outras quatro sejam construídas até 2030, quando nós teríamos perto de 10 GW de energia nuclear. De 2030 a 2050 nós construiríamos mais oito usinas, com outros 10 GW. Aí seria nosso limite. Não precisaríamos mais do que isso. 


Colaborou Fábio Couto

CARTA 20.

CARTA 20

ASEN 20/15

Angra dos Reis, 05 de maio de 2015.

Ao Sr. Miguel TorresPresidente da Força Sindical

Prezado companheiro,

A Associação dos Empregados da Eletronuclear – ASEN, entidade que tem por finalidade defender os interesses dos empregados da Eletrobras Termonuclear S.A. – ELETRONUCLEAR; incentivar o desenvolvimento da tecnologia nuclear no país para fins pacíficos; buscar o desenvolvimento e a troca de experiências com outras entidades representativas dos trabalhadores e lutar pela manutenção e ampliação de todas as conquistas da classe trabalhadora entre outras, completou no ano de 2015 31 anos de atuação.

A ELETRONUCLEAR tem seus trabalhadores lotados nas bases Rio de Janeiro e Angra dos Reis/Paraty, sendo representados pelas entidades majoritários SINTERGIA – FNU–CUT  e STIEPAR-FENATEMA-FORÇA SINDICAL respectivamente.

Reportamo-nos aos companheiros da Força Sindical solicitando esclarecimentos quanto à posição adotada por essa entidade em relação ao Projeto de Lei 4330/04 que ora tramita no Congresso Nacional.

A ASEN entende que esse projeto de lei deve servir como proteção e garantia de pagamento de salários e direitos trabalhistas dos trabalhadores que exercem funções terceirizadas, estendendo a esses companheiros as conquistas e benefícios usufruídos pelos empregados das empresas contratantes, formando uma aspiral ascendente, unindo os trabalhadores em suas lutas por condições dignas de trabalho e vida.

Terceirização tem significado precarização do trabalho, diminuição de salários, corte de benefícios, aumento da carga horária e no número de acidentes de trabalho. Terceirização não gera empregos. Deve ser combatida, não ampliada.

Ficamos extremamente preocupados quando vemos que representantes do capital (CNI, FIESP, FIRJAN, FEBRABAN) gastam milhões de reais em propaganda para tentar convencer o trabalhador dos benefícios da terceirização. Essa turma nunca esteve ao nosso lado. Outros tantos milhões têm sido gastos para elegerem bancadas 
que defendam os interesses do empresariado: custo baixo de mão-de-obra (seremos um novo sudeste asiático?); capital público farto, barato e subsidiado (BB, CEF, BNDES, Banco do Nordeste); matéria-prima a “preço de banana”; isenção e calote nos impostos, contando sempre com anistias aprovadas por seus representantes.

Em suma o custo de descalabro é sempre pago pelos trabalhadores.

Não podemos retroceder, não podemos transformar o Brasil num país fornecedor de mão-de-obra barata para o deleite do capital explorador e sem compromisso com nosso povo.

Gostaríamos de sua manifestação direta quanto à tão importante etapa da eterna luta do trabalhador brasileiro.

Atenciosamente;

 

______________________________                        ____________________________
José Octavio Camara Pereira                                    Aguinaldo Paulino Fernandes
Diretor Administrativo                                       Diretor de Relações Institucionais        

 

ASSOCIAÇÃO DOS EMPREGADOS DA ELETRONUCLEAR 
Diretoria Colegiada


c/c Sr. Dalberto dos Anjos de Andrade
Presidente do STIEPAR
c/c Sr. Eduardo de Vasconcellos Annunciato
Presidente Fenatema

Quanto vai ser a conta de luz?

Quanto vai ser a conta de luz? Custo da energia não vai cair tão cedo porque no ano que vem a hidrologia pode continuar ruim. O aumento vai ser maior do que o que o governo quer que acreditemos

  • O imbróglio e o impacto do caos deflagrado pela “bem estruturada” Medida Provisória 579 continuam a causar estragos no setor elétrico. Além de constrangimento de bancos privados para compor os empréstimos que estão sendo suportados pelos contribuintes e que depois passarão para os consumidores, sendo que ambos não possuem responsabilidade alguma pelas barbeiragens cometidas pelo governo através das mudanças promovidas a partir da MP.

  • O diretor-geral da Aneel estimou em 8% o incremento de tarifas nas contas de luz para os próximos dois anos, em razão dos empréstimos concedidos às distribuidoras que, por ora, somam R$ 17,7 bilhões.
  • Alguns analistas de bancos projetam um aumento de 15% no ano que vem. Já uma consultoria superespecializada trabalha com a expectativa de reajuste médio de cerca de 17% em 2015, o que levaria o IPCA a 6,3%.
  • Na sequência, o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia afirma que a tarifa deve aumentar 2,6% em 2015; 5,5% em 2016; 1,4%, em 2017. Número diferente da projeção da Aneel, o que demonstra que, de fato, ninguém sabe qual será o incremento tarifário. No momento eleitoral, temos que prestigiar o desconhecimento e o despreparo da sociedade para avaliar o que, de fato, será imposto após as eleições.
  • Agentes de governo, num ar de especialistas, falam de aumentos menores porque novas usinas vão entrar no regime de cotas, sem considerar que a ilação pode não se verificar. O processo da Cemig, hoje em contestação, pode demorar.
  • Também é simplesmente falsa a afirmativa de que a energia das usinas com concessão renovada é barata. Quando não tem água, o Mecanismo de Realocação de Energia rebaixa todo mundo, e os distribuidores não recebem toda a energia, tendo que comprar a diferença no Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) alto. Portanto, o custo das cotas terá que considerar receita paga às usinas (as RAGs), acrescida do custo da energia a complementar ao valor do PLD.
  • Mesmo que entrem mais usinas no regime de cotas, o custo não vai cair tão cedo porque, no ano que vem, a hidrologia pode continuar ruim. O aumento vai ser maior do que o que o governo quer que acreditemos, porque agora o consumidor ficou com todo o risco hidrológico dessas usinas, quando antes não tinha nenhum.
  • Portanto, os cenários para a energia elétrica não são nada otimistas. Se chover no período úmido a partir de novembro até março, evitaremos o racionamento, mas o PLD deve manter-se em torno de R$ 300/MWh. Caso não chova o suficiente, aumenta em muito ou será mesmo inevitável um racionamento no início de 2015, em proporções muito maiores que os de 2001.
  • O Brasil não pode e nem deve permanecer refém de hidrologias favoráveis. Na medida em que optamos de forma incorreta por reservatórios a fio de água, temos de entender que precisamos construir uma matriz hidrotérmica consistente e estruturada. Caso contrário, todos os anos vamos ficar dependentes da boa vontade de São Pedro. E, o pior, talvez nem São Pedro consiga nos atender. Para construir essa nova matriz elétrica, é essencial que abandonemos a ideia fixa da modicidade tarifária e entendamos que é preciso estabelecer um trade-off entre modicidade e aumento da oferta de energia. Só assim, com o aumento da oferta por meio de uma diversificação de fontes energéticas, é que alcançaremos a segurança de abastecimento e tarifas competitivas em relação a outros países. É preciso entender, de uma vez por todas, que segurança energética e preços competitivos só serão alcançados com estabilidade regulatória, segurança jurídica e respeito à lógica e às regras de mercado, e não com a publicação de MPs, decretos e leis.
  • Adriano Pires é diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Abel Holtz é diretor da Holtz Consultoria


  • Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/quanto-vai-ser-conta-de-luz-13676495#ixzz3B8zrV5ae 
    © 1996 - 2014. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.


A ASEN SOMOS NÓS, NOSSA FORÇA É NOSSA VOZ.