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PMDB tenta desestabilizar Real Grandeza


Um documento apócrifo sob o título "A verdadeira história da Fundação Real Grandeza" pedindo a intervenção da Secretaria de Previdência Complementar no fundo de pensão dos funcionários de Furnas e de Eletronuclear serviu para detonar de vez o baú de pólvora que se tornou a fundação, desde que indicados pelo PMDB assumiram a direção de Furnas em 2007. O documento, um folheto publicitário com seis páginas, acusa a direção do Real Grandeza de "ludibriar todos os funcionários há muito tempo". Como argumento, utiliza dados de parecer atuarial feito em 2007 pela Watson Wyatt Brasil, consultoria contratada pela fundação, que aconselha os gestores a reduzir a contribuição da patrocinadora e dos participantes.
Para piorar a situação, logo após a divulgação do documento, os deputados federais Solange Almeida (PMDB-RJ) e Rômulo Gouveia (PSDB-PB) voltaram a apresentar, em Brasília, requerimentos para realização de uma audiência pública na Comissão de Minas e Energia a fim de debater as supostas irregularidades contábeis que teriam gerado aumento artificial do superávit da fundação. O requerimento de Rômulo Gouveia foi aprovado e a audiência será realizada em 23 de setembro.
Contrariados com a possível intervenção do fundo que garante sua aposentadoria, funcionários e aposentados já planejam manifestações. Os sindicatos dos empregados reunidos na União Intersindical Furnas começam a decidir entrar em estado de greve permanente. O primeiro a aprovar a medida foi o de Brasília. "Esta não é a primeira intervenção política que a fundação sofre do grupo do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), numa tentativa de retirar os seus dirigentes", afirma Adilson Santos, da União Sindical. Santos também reclama que todo este processo se dá justamente quando os funcionários e aposentados estão elegendo novamente seus três representantes no conselho do fundo de pensão. Em janeiro, a direção de Furnas havia fechado um acordo prometendo não mais se envolver nesta disputa, mas, segundo o sindicalista, os dados do documento eram sigilosos e vazaram da estatal.
Desde a curta passagem de Luiz Paulo Conde pela presidência de Furnas, indicado pelo deputado em meados de 2007, que a briga política se instalou. Até hoje, seis representantes da estatal no conselho do fundo já pediram demissão por não aguentar as pressões. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, o único objetivo é derrubar a atual direção da fundação. A pressão é tanta, que os conselheiros, entre eles, se referem às ordens de Eduardo Cunha como vindas do "escritório central". (Paola Moura) Leia mais no Valor. 



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